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Bach the Animated Series – a série de animação sobre a vida de Johann Sebastian Bach no YouTube

Atualizado: há 14 horas


Frame de Johann Sebastian Bach da série de animação "Bach the Animates Series" the Peter Fielding

A música de Johann Sebastian Bach é frequentemente descrita como a perfeição em forma de som. Mas quem era o homem por trás da notas musicais?


Para responder a essa pergunta, o animador belga Peter Fielding dedicou quase sete anos de sua vida a um projeto monumental e independente: a Bach The Animated Series, disponibilizada no YouTube.


Nesta entrevista exclusiva à Bach Society Brasil, Fielding revela como sua conexão pessoal com a obra de Bach e os desafios de uma produção solitária moldaram uma narrativa que vai além do mito, alcançando o Bach humano, desde seus primeiros e difíceis anos de formação.


Peter Fielding

SOBRE O AUTOR


Peter Fielding nasceu em Flandres, Bélgica, em 1969, mas mudou-se para as montanhas italianas em 2010. Longe da agitação do cotidiano, passou a dedicar-se às suas grandes paixões, sendo a principal delas J.S. Bach. Após considerar a escrita de um romance e até mesmo a produção de um audiolivro, Fielding encontrou na série de animação o veículo ideal para o seu propósito: humanizar o compositor e apresentar o homem por trás do mito ao grande público.


Siga o canal da série no Instagram: @bach.the.animated.series


Assista à série no YouTube : https://www.youtube.com/@BachTheAnimatedSeries



A origem da série


Sua conexão com Johann Sebsatian Bach parece ser muito pessoal. Você pode compartilhar como a música dele o afetou ao longo da vida?

Peter: É uma relação profunda. Desde a infância, influenciado pelo meu pai músico e pela grande coleção de discos clássicos que ele tinha em casa, a música de Bach sempre me trouxe uma sensação muito particular de clareza e equilíbrio. Comecei a estudar teoria musical e piano ainda criança e sempre quis tocar Bach, porque era a única música que realmente agitava meu coração e, ao mesmo tempo, me trazia paz. Recebi tardiamente o diagnóstico de autismo, e hoje entendo melhor por que a música de Bach me afetava tanto. Ela é extremamente lógica, estruturada, quase perfeita — e isso funcionava como um antídoto para a avalanche diária de estímulos sensoriais. Essa percepção influencia diretamente a forma como tento construir a narrativa da série. Peter, a série animada sobre a vida de Bach é um projeto fascinante. Você poderia nos contar sobre como ela começou e qual foi a jornada de produção até agora?

Peter: Comecei a série animada há cerca de sete anos e subestimei completamente a carga de trabalho, achando que a tecnologia moderna tornaria tudo mais fácil. Na prática, acabei assumindo sozinho praticamente todas as etapas do processo, criando imagem e som de forma independente. A série se desenvolveu a partir de um livro de ficção que escrevi anteriormente sobre a vida de Bach, suas esposas e filhos, que serviu como uma base sólida para o roteiro da animação.



Você tinha alguma formação prévia em animação? E como você desenvolveu o visual do personagem Bach?

Peter: Não tinha formação em animação, embora desenhasse bastante quando criança. Com o tempo, percebi que precisava de referências muito concretas para manter consistência visual ao longo dos anos. Acabei usando a mim mesmo como modelo: tirar selfies para estudar expressões faciais e ângulos foi a solução mais prática. Manter essa coerência visual ao longo de quase sete anos foi um dos maiores desafios técnicos do projeto.


A música é, obviamente, central. Quais são os desafios em relação à trilha sonora da série? Peter: Esse é provavelmente o maior desafio. Só posso utilizar gravações sem direitos autorais ou cedidas gratuitamente. Isso limita enormemente as opções e, muitas vezes, me obriga a recriar ou executar tudo sozinho. No início, tentei resolver isso digitalmente, usando softwares de criação musical, mas logo percebi que simplesmente não soa como uma execução real. Cada escolha musical precisa equilibrar fidelidade histórica, qualidade sonora e viabilidade prática.



MAKING OF: Acompanhe o processo de animação de Peter Felding.


O Bach Real: além do mito


O que o motivou a dedicar tanto tempo e esforço à vida de Bach?

Peter: Sempre quis mostrar às pessoas o “Bach real”, não apenas sua música, mas quem ele provavelmente foi como pessoa. Bach costuma ser visto como o mais incompreendido entre os chamados três grandes da música clássica — ao lado de Mozart e Beethoven. Existe essa imagem recorrente de um homem ranzinza, irritadiço, que jogava perucas nos músicos. Para mim, essa reputação se apoia em uma leitura superficial de pouquíssimos fragmentos documentais.


E sobre esse caráter, você encontrou evidências que sustentam uma visão diferente de Bach?

Peter: Com certeza. Há muitos indícios indiretos. Quando Bach chegou a Leipzig, em 1723, ele assumiu a responsabilidade por 55 meninos pobres e órfãos. Em menos de um ano, conseguiu prepará-los para executar a Paixão Segundo São João. Isso exige não apenas genialidade musical, mas também uma enorme capacidade pedagógica e humana. Além disso, cartas e relatos de seu filho Carl Philipp Emanuel Bach descrevem Bach como um excelente anfitrião, alguém que mantinha a casa aberta para músicos e colegas. Essa ideia de um Bach acolhedor e respeitado contradiz completamente o estereótipo do homem permanentemente irritado.


Realidade ou ficção?


Como você escolhe quais momentos da vida de Bach entram na série? Peter: Dou prioridade a acontecimentos documentados. Evito especulações excessivas, mas, nos períodos da juventude de Bach, onde há poucas informações, uso a imaginação apoiada em contexto histórico. Algumas dramatizações — como conflitos profissionais, viagens ou repreensões musicais — ajudam a mostrar um Bach humano, lidando com tensões reais do cotidiano.




Há episódios ou histórias que você considera especialmente marcantes? Peter: Gosto muito do episódio sobre a suposta competição com Louis Marchand, que mistura fatos históricos e lendas de forma quase cômica. Também tenho um carinho especial por episódios que retratam encontros históricos, como com Frederico, o Grande, e pela dramatização da estreia da Paixão Segundo São Mateus, apresentada em um contexto de forte tensão e recepção incerta.


O que podemos esperar dos próximos episódios?

Peter: Estou trabalhando no episódio final, que aborda os últimos anos de Bach. Ele inclui a perda da visão causada por catarata, a cirurgia mal sucedida realizada por John Taylor, a breve recuperação, o derrame e sua morte pouco tempo depois. Também pretendo incluir epílogos e alguns episódios extras com histórias que ficaram de fora, como o momento em que Bach repreende seu filho Emanuel por não resolver um acorde dissonante.



A Bach Society Brasil tem grande orgulho em divulgar a sua série e oferecer o uso de nossas gravações nos próximos episódios.

Peter: Fico sem palavras e profundamente honrado. A oferta das gravações, especialmente realizadas com instrumentos de época e sob uma direção artística tão rigorosa, é algo extraordinário. Isso pode resolver um dos maiores desafios da série, que é justamente a escolha e a qualidade do material musical.



Sugestão de Episódios

Episódio #3 – Chegada a Lüneburg: Aos 15 anos, Sebastian toma a decisão corajosa de deixar a casa do irmão para buscar uma bolsa de estudos em Lüneburg. O episódio retrata o choque de realidade e a necessidade de provar seu valor em um ambiente novo e competitivo.




Adaptando-se à nova função, Sebastian logo percebe que subestimou a quantidade de trabalho e as expectativas impostas pelo conselho municipal.






Acompanhe no Blog Barroco nossa série quinzenal sobre episódios da vida de Bach inspirados nos episódios de animação.

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